PJ é a droga que eu preciso
Alguns artistas são tratados como semi-deuses e todos os seus trabalhos são ansiosamente esperados, seja seu novo disco, seja sua coletânea de hits, seja um dueto bizarro entre o mesmo e algum cantor caipira. A verdade é que tudo que leva o nome desses artistas é aguardado com angústia e sofrimento. PJ Harvey faz parte desse seleto grupo de artistas. Principalmente no que diz respeito à angústia e sofrimento. Dona de uma discografia que se confunde com a trilha sonora perfeita para amores ilusórios e paixões mal resolvidas, a inglesa que acabou de completar 30 anos surge com novo disco após 4 anos do belo e profético Stories From The City Stories From The Sea.
O novo disco sugestivamente intitulado Uh Huh Her (seja lá o que isso signifique lá pras bandas dela) chegou às lojas brasileiras esse mês. E desde já, é bom que qualquer um evite chegar nas lojas e pedir o disco pelo nome: É capaz do atendente achar que você está lhe passando uma cantada. Sério. Completamente diferente dos últimos dois álbuns, Uh Huh Her é mais cru, mais sujo, lembra bastante os primeiros trabalhos dela, principalmente o sensacional Dry. É claro que faz falta toda a psicopatia que Polly Jean trazia naquela época, quando todos achavam que ele entraria em colapso a qualquer momento. Hoje PJ é uma mulher madura que parece (droga!!) ter finalmente encontrado a felicidade, ou pelo menos o caminho para a mesma. É verdade que as letras ainda falam de desespero e subversão, mas a amargura que existia foi-se embora. Hoje ela dá lugar a questões existenciais e eternas dúvidas de amores que deveriam, mas não foram perfeitos.
Uh Huh Her começa com a sombria The Life And Death Of Mr. Badmouth. PJ canta de uma maneira tão tensa que chega a dar medo em ouvidos despreparados. Em seguida vem Shame, com levada muito parecida com Kamikaze, só que mais lenta e como de costume um vocal corretinho de PJ. Who the fuck? é uma barulheira geral, o elo perdido entre a PJ de Dry e a PJ dos dias atuais. The Pocket Knife tem um pandeiro e sinceramente, chega a não parecer PJ, mas isso não significa que a música seja ruim, pelo contrário.O primeiro single, The Letter, tem umas guitarrinhas que grudam na cabeça à primeira audição e um raro clipe passando até com relativa freqüência nas emetevês da vida. It’s You traz pianos que dão um ar triste à música. Nesse trabalho, os títulos das músicas dizem muito sobre o conteúdo do disco: The Desperate Kingdom Of Love, The Darker Days Of Me And Him. PJ continua a mesma musa atormentada dona de letras capazes de derrubar qualquer ser humano. As ligações com sonhos soturnos, túneis escuros, facas, desmoronamento emocional estão todas lá. Mas dessa vez há espaço para pérolas otimistas como: Amor é a droga que eu preciso. Ah, se todos amadurecessem assim.
*Alice Morais ouvindo o barulho irritante de um site que ao abrir toca um techno muito do vagaba!
Escrito por Equipe Margarina às 02h36
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|